Imagem gentilmente cedida por Ricardo Burg Mlynarz

 
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Índios de várias etnias pedem demarcação da Raposa Serra do Sol
HOME PAGE JB ON LINE, 26.07.2008

ALTO PARAÍSO DE GOIÁS (GO) - O fim da primeira semana do 8º Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, que ocorre até o dia 2 de agosto, foi marcado pelo encerramento de uma de suas
atrações, a 2ª Aldeia Multiétnica. A Aldeia Multiétnica terminou nesta
sexta-feira e reuniu cerca de 130 índios de todo o país, para celebrar
sua cultura e enumerar as demandas dos povos indígenas. Uma das
resoluções foi a elaboração de uma carta que pede a demarcação
contínua da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. - No
documento, escrito a muitas mãos pelos índios, é feita uma moção de
repúdio à decisão do Supremo Tribunal Federal [STF], que interditou a
desobstrução da Raposa - explica o curador do evento, Sandoval Amparo.
Entre os 14 povos que participaram da Aldeia, estiveram presentes os
Wapixana e os Ingaricó, que vivem na Raposa Serra do Sol. A segunda
edição da Aldeia foi realizada num local que reproduz a vida nas
tribos, distante cerca de 12 km do povoado de São Jorge (sede do
encontro). O objetivo do evento é promover a integração dos povos
indígenas e, mesmo não sendo uma audiência pública, os curadores
trouxeram a proposta de discutir a questão dos territórios indígenas
e, assim, escutar as demandas dos participantes. - Procuramos colocar
essa questão dos territórios para além da questão fundiária. Tratamos
de outros territórios não palpáveis, que são os territórios da
identidade, da comunicação e, para isso, estabelecemos três linhas de
discussão: territórios clássicos, a questão dos índios urbanos e a
questão dos índios e as culturas populares. Nesta última, procuramos
mostrar as áreas em que as culturas populares receberam influência da
indígena - relata Sandoval. A integração no promovida pelo 8º Enconteo
de Culturas Tradicionais tem sido uma realidade já no próprio povoado
de São Jorge – distrito afastado cerca de 40 km do município de Alto
Paraíso de Goiás (GO). Tanto que é fácil confundir brancos e índios,
já que muitos dos cerca de 5 mil turistas foram tatuados com tinturas
indígenas. - É importante conhecer os nossos parentes. É bom encontrar
com eles. A língua não é igual, cada um tem uma língua diferente e,
aí, sempre falamos em português com eles, porque não entendemos a
língua. Escutamos palestras e falamos bastante sobre como é preciso
cada vez mais preservar nossa cultura - conta o prefeito da Aldeia,
que é o líder máximo do encontro, Osmar Kukon Kraô. Essa interação
entre os participantes da Aldeia foi, para o principal idealizador
curador do evento, Fernando Schiavini, o principal resultado desta
segunda edição.- A Aldeia veio desmistificar a idéia de que a
convivência dos índios com os outros povos é difícil ou é impossível.
Aqui, ficou provado que todos são pessoas, que têm suas culturas
diferentes e que podem perfeitamente interagir. Todos, índios e
não-índios conseguiram isso e, inclusive etnias que eram inimigas no
passado, que não conseguiam se relacionar, aqui se relacionam -
observa Schiavini.
[10:40] - 26/07/2008


 
 

 
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